Humberto Mauro

Um entusiasta da tecnologia, apaixonado pelo movimento do mundo em todas suas formas e conseqüências. Inclusive a fotografia em movimento, que caracterizou seu trabalho. Cinema nacional, não se pode pensar sem sua obra que em uma linguagem simples e expressiva mostra o potencial brasileiro para a nova arte.

Ao observar seu trabalho percebemos peculiaridades existentes em sua obra desde o cinema mudo até seu trabalho documental, a preocupação com detalhes, a ousadia dos enquadramentos, a forma como explorava enquadramentos de pés, rodas, moinhos, que em movimentos circulares criavam cenas e se transformam seqüências de imagens, que talvez quisessem falar da geração de energia que tanto fez parte da sua vida; a luz por ela gerada e a poesia de imagens que ela possibilitava junto a maquina de fazer cinema.

Buscando sempre a melhor fotografia e o melhor angulo, construiu um trabalho cinematográfico que mostrou o caminho do cinema e da fotografia brasileira, que exalta a beleza da nossa cultura.

Em sua obra podemos observar imagens do cotidiano de Minas Gerais onde estradas de terra, porteiras, montanhas e nuvens em sinfonia com enxadas, chapéus de palha e cachoeiras mostram o cenário bucólico das Minas Gerais, que tanto encantaram e encantam os olhos do mundo.
Humberto Mauro entendia a linguagem do cinema e sem esforço conseguia reproduzir suas idéias e suas estórias criadas unicamente para serem imagens, que representam o imaginário brasileiro, com simplicidade ele transforma e eterniza com imagens sua leitura de mundo e sua grande admiração pela cultura brasileira, pois mesmo tendo como influência o cinema americano, em suas estórias sempre vemos Brasil e as Geraes.

O humor (negro) também é um marco na obra de Humberto Mauro, no cinema mudo, em seus documentários e no primeiro vídeo clipe do mundo com A velha a fiar, observamos um humor generoso e inteligente, que em entrelinhas mostra um pouco do jeito brasileiro mineiro de ver o mundo, sempre com um sorriso no rosto e um olhar desconfiado.

Genialidade não faltava para esse homem simplesmente apaixonado pelo que se podia criar através da imagem em movimento, e ele ousou, em um momento que o cinema não era considerado arte e enquanto se discutia um modernismo tardio no Brasil, Humberto Mauro fazia, criava a arte brasileira com a identidade cinematográfica do Brasil para o mundo, construindo a história do cinema e da fotografia nacional.